2º bloco apimentado! Candidatos se enfrentam sobre investigação, se alfinetam sobre saúde; Laurez é cutucado sobre demissões nos 90 dias; Veja os melhores momentos!

O clima esquentou no segundo bloco do primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Tocantins, nesta terça-feira, 18. Investigação, saúde pública, demissões durante os 90 dias em que Laurez Moreira esteve à frente do Palácio Araguaia, experiência política e até formação acadêmica entraram no confronto direto entre os concorrentes.

A Gazeta do Cerrado acompanha o debate e separou os principais momentos do bloco, marcado por perguntas entre os próprios candidatos, réplicas, tréplicas e direito de resposta.

Ataídes questiona Vicentinho sobre investigação e formação

Um dos embates mais duros ocorreu entre Ataídes Oliveira (Novo) e Vicentinho Júnior (PSDB). Ataídes abriu a pergunta citando uma investigação e questionou o adversário sobre a movimentação financeira atribuída a uma empresa da esposa dele. Também perguntou sobre sua formação acadêmica.

“O relatório da Polícia Federal disse que, com base nos extratos, uma empresa de sua esposa movimentou R$ 85 milhões. Eu queria que você explicasse de onde veio esse dinheiro. Segundo, gostaria também de saber qual é a sua formação acadêmica e em qual universidade você concluiu o curso.”

Vicentinho respondeu afirmando que foi inocentado e anunciou que publicaria certidões nas redes sociais. Também desafiou os adversários a apresentarem eventual condenação contra ele.

“Eu não desejo a nenhum inocente do meu estado passar o que eu passei nessa pré-campanha, ser acusado por algo que eu não cometi. […] Eu não tenho nenhuma condenação que pese sobre o meu mandato, meu CPF ou meu nome.”

O tucano elevou o tom:

“Eu lanço aqui hoje um desafio: se o senhor ou qualquer um dos nossos concorrentes apresentar uma condenação, eu renuncio hoje à minha candidatura ao Governo do Estado do Tocantins.”

Na réplica, Ataídes insistiu que o questionamento era sobre a movimentação financeira e voltou a cobrar uma resposta sobre a formação acadêmica.

“O senhor está sendo investigado, ainda não condenado. […] Eu estou falando dos R$ 85 milhões que movimentou na conta da senhora sua esposa, extrato bancário. […] Eu queria saber também onde foi que você concluiu seu curso de engenharia.”

Vicentinho reagiu dizendo que Ataídes fazia uma leitura incompleta de sua biografia e negou que ela apresente formação em Engenharia Civil.

“Estou vendo que o senhor é muito ruim e preguiçoso para fazer leitura. Faz pela metade e faz sempre incompleto. Minha biografia não tem formação em Engenharia Civil.”

Saúde coloca Vicentinho e Dorinha frente a frente

Na vez de perguntar, Vicentinho escolheu Professora Dorinha (União Brasil) e colocou a saúde pública no centro do confronto. Ele questionou quais medidas a candidata pretende adotar para mudar a situação do setor.

Dorinha citou obras hospitalares em andamento e defendeu a conclusão das estruturas, além da ampliação de parcerias para cirurgias, exames e atendimento especializado.

“A saúde vai ocupar um ponto focal no meu governo, porque nós precisamos acelerar todo o processo de conclusão dessas obras e colocá-las em funcionamento.”

A candidata também mencionou concurso para profissionais da saúde, policlínicas e maior integração entre Estado, municípios, União e rede privada.

Vicentinho aproveitou a réplica para atacar a demora na entrega de hospitais e apresentar promessas para diferentes regiões.

“Ela fala que está sendo feita obra, ela só não fala que já são quase 13 anos e não terminou. […] Nós vamos fazer uma reforma e ampliação robusta no nosso HGP, construir um novo regional em Taguatinga, um novo regional em Luzinópolis e um novo regional em Divinópolis.”

Dorinha rebateu e disse haver “desinformação” no discurso do adversário.

“Lamentavelmente, tem um problema até de informação. O governo atual fecha esse ano os seus cinco anos de gestão.”

Ela voltou a defender o fortalecimento dos hospitais regionais e a ampliação de convênios com municípios.

Du cutuca Laurez sobre demissões durante os 90 dias

Du Pereira (DC) levou para o debate uma das principais críticas ao período em que Laurez Moreira (PSD) esteve interinamente no comando do Estado. Ele perguntou se, eleito, Laurez repetiria as demissões feitas durante os cerca de 90 dias de gestão.

“Caso o senhor seja eleito, vai fazer o mesmo que foi feito quando ficou por 90 dias como governador interino do Estado? Vai demitir em massa?”

Laurez respondeu defendendo aquele período e disse que pretende, sim, repetir medidas adotadas durante a passagem pelo governo.

“Do meu governo eu vou fazer o que eu fiz nos 90 dias: 90 dias sem corrupção, 90 dias sem a Polícia Federal na porta, plano de cargos e salários para o servidor da Educação, prorrogação do concurso e criando as condições necessárias para convocar três mil concursados.”

O candidato também defendeu o concurso público como principal porta de entrada para o funcionalismo.

“No meu governo, a maneira de entrar no serviço público vai ser através do concurso. Eu entendo que é um total desrespeito a quem estuda, a quem trabalha, depender de político e de favor para o empreguismo do Estado.”

Du não deixou a resposta passar e afirmou que famílias perderam renda durante a gestão interina.

“Famílias choraram, perderam o emprego de forma drástica, do dia para a noite. […] Famílias do Tocantins ficaram desempregadas, passaram momentos tensos. Não foi tudo isso que o senhor está falando.”

E ainda provocou:

“Caso o senhor seja eleito, que não vai ser, porque vai ser Du Pereira o próximo governador do Tocantins, eu peço que o senhor repense.”

Laurez respondeu dizendo que o adversário estava “muito mal informado” e voltou a defender sua política para o funcionalismo.

“O Tocantins precisa de quem se preparou para governar o Estado. Tocantins não é brincadeira. […] Meu compromisso é com você, servidor concursado, com você, mãe de família, com você que estuda dia e noite para passar no concurso.”

Witer cobra conta das 50 escolas prometidas por Ataídes

Professor Witer (PSOL) questionou Ataídes sobre a proposta de construir 50 escolas de tempo integral e cobrou explicações sobre como o projeto seria financiado.

Ataídes aproveitou parte da resposta para voltar ao embate anterior com Vicentinho e, depois, disse que o combate à corrupção e aos favores políticos abriria espaço no orçamento para investimentos.

“Se nós não combatermos os três cânceres, que são a corrupção, os favores políticos e a má gestão, nós podemos esquecer. Só esses três cânceres tiram do nosso povo R$ 2,4 bilhões por ano.”

Witer rebateu com uma estimativa de custo para as unidades e questionou o modelo de financiamento proposto pelo adversário.

“Não é coisa simples. Cinquenta unidades de escola de tempo integral […] vão dar mais de meio bilhão. […] Fundo de investimento imobiliário é dívida pública para o Estado do Tocantins.”

Na tréplica, Ataídes sustentou que haveria recursos e disse que o maior desafio estaria na valorização e contratação dos profissionais.

“Dinheiro tem para a gente fazer as escolas. O grande desafio do nosso governo vai ser a parte humana. Nós vamos ter que fazer concursos públicos, capacitar os nossos professores, ter um plano de cargos e salários e valorizar os nossos professores.”

Laurez e Witer discutem emprego e industrialização

Laurez perguntou a Witer como pretende movimentar a economia e reduzir a dependência dos empregos públicos no Tocantins.

Witer colocou a “emancipação econômica” como eixo de sua proposta.

“O que nós queremos para o nosso Estado não é só a produção de emprego. É a emancipação sua enquanto indivíduo e cidadão tocantinense. A emancipação econômica é um dos princípios que vai nortear o nosso Estado, gerando renda e trabalho.”

Na réplica, Laurez defendeu a industrialização e o cooperativismo.

“Nós não podemos continuar sendo exportadores de matérias-primas como somos hoje. […] Minha ideia é fazer um governo voltado para a industrialização, facilitar a vida do empreendedor e incentivar as cooperativas.”

Witer respondeu que o Estado também precisa oferecer segurança e estabilidade para atrair grandes investimentos.

“O grande capital, o empregador massivo, que é o industrial, tem que vir para o Estado entendendo que existem políticas adequadas: incentivos fiscais e garantia de estabilidade.”

Dorinha pergunta a Du sobre desenvolvimento do interior

Dorinha escolheu Du Pereira e perguntou como o Estado poderia levar oportunidades aos municípios menores.

Du defendeu maior participação de pequenos comerciantes e fornecedores locais nas compras públicas.

“Nós vamos criar um governo para desenvolver mais o interior. […] Criar pequenas licitações para que essas pessoas tenham rentabilidade dentro do seu município, dentro da sua realidade.”

Dorinha respondeu defendendo uma atuação articulada entre o Estado e os municípios, principalmente em áreas como educação, saúde e geração de emprego.

Na tréplica, Du aproveitou para atingir novamente os políticos com vários mandatos.

“Aí vêm as promessas. Mas a senhora já está há décadas e décadas com mandatos e cada vez vem uma proposta diferente. O tocantinense se ilude e continua na mesmice.”

Ele ainda retomou a discussão anterior com Laurez:

“O candidato Laurez falou que eu estou despreparado, mas quem está despreparado é quem pegou uma caneta e fez uma demissão em massa.”

Dorinha ganha direito de resposta

O bloco terminou com Professora Dorinha recebendo direito de resposta após afirmar ter sido ofendida por Ataídes. A candidata cobrou respeito e disse estar disposta ao confronto político, mas não a ataques que considere desrespeitosos.

“Eu respeito o debate, a crítica e toda a discussão. Ela é sempre bem-vinda porque dá oportunidade para o eleitor conhecer a nossa história.”

Dorinha encerrou relacionando o episódio também à condição de mulher na disputa:

“Não é porque eu sou mulher que eu vou aceitar esse tipo de desrespeito. Discutir, debater, apresentar posições diferentes, eu não tenho nenhuma dificuldade de fazer esse enfrentamento, mas peço respeito e nível de debate.”

Brener Nunes

Repórter

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins