Sem confronto, 3º bloco é morno com foco em propostas por áreas; Veja o que disseram os candidatos!

O terceiro bloco do primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Tocantins, nesta terça-feira, 18, deixou de lado os confrontos diretos e colocou os concorrentes diante de temas sorteados. Infraestrutura, meio ambiente, agronegócio, economia, saúde e segurança pública entraram na rodada, com dois minutos para cada resposta e sem direito a réplica ou tréplica.

A Gazeta do Cerrado acompanha o debate e reúne os principais trechos das respostas.

Vicentinho é questionado sobre perda da conexão ferroviária em Figueirópolis

O tema sorteado para Vicentinho Júnior (PSDB) foi infraestrutura. A pergunta abordou a mudança no traçado ferroviário que retirou a conexão prevista em Figueirópolis e questionou o que ele fez, como deputado federal, diante da perda logística para o Tocantins.

Vicentinho atribuiu o episódio à falta de uma atuação de Estado e afirmou que somente a mobilização da bancada federal não seria suficiente.

“Faltou um estadista por nome, talvez, como José Wilson Siqueira Campos. Não basta uma bancada federal. E aí eu dou o respeito devido a todos os três senadores e aos oito deputados federais.”

O candidato classificou a alteração como uma perda histórica para o sul do Tocantins e defendeu planejamento de longo prazo para a infraestrutura estadual.

“Tirou-se de Figueirópolis, da região sul do estado, o nosso maior potencial logístico de um hub que é dado ao Tocantins.”

Vicentinho também citou a situação da TO-010, na região de Pedro Afonso, e criticou promessas de obras sem, segundo ele, o devido planejamento ambiental.

“Falta hoje governador que pense o Tocantins para daqui 10, 30, 40 anos à frente.”

Ao final, mencionou obras e rodovias para as quais disse ter contribuído durante seus três mandatos na Câmara dos Deputados.

Du Pereira defende aeronave para combater queimadas

Du Pereira (DC) recebeu o tema meio ambiente. Questionado sobre como conciliar a expansão da produção com o combate aos incêndios criminosos, defendeu reforço na estrutura estadual de prevenção e combate ao fogo.

“O Tocantins precisa, urgentemente, de um helicóptero ou de um avião para combater os pequenos incêndios, porque isso transforma em grandes incêndios.”

Du afirmou que o Estado precisa ampliar equipes para proteger a fauna, a flora e os rios e citou o Jalapão como uma das regiões que exigem atenção.

“O nosso estado precisa de proteção, precisa de pessoas dedicadas, precisa de agentes dedicados para combater não só o incêndio, mas para cuidar da nossa fauna, da nossa flora, dos rios.”

O candidato disse ainda que a prevenção às queimadas faz parte de seu plano de governo.

Ataídes fala em redução de impostos e industrialização do agro

Para Ataídes Oliveira (Novo), o sorteio definiu o agronegócio. Antes de responder diretamente à pergunta, o candidato voltou a afirmar que continuará chamando corrupção, favores políticos e má gestão de “cânceres”.

Na sequência, apresentou medidas que pretende adotar para o setor.

“Nós temos que ter redução de carga tributária, estradas boas, energia boa, acabar com essa burocracia, crédito acessível para quem produz, armazenagem, segurança no campo, defesa sanitária forte, industrializar o agro, logística forte e regularização fundiária.”

Ataídes também defendeu que o Tocantins deixe de exportar apenas produtos primários.

“Nós precisamos trazer grandes empresas para cá para agregar valor aos nossos produtos. Nós não podemos continuar vendendo commodities.”

Segundo ele, segurança jurídica, qualificação da mão de obra e atração de empresas seriam pilares para ampliar emprego e renda no Estado.

Dorinha defende concessões, mas diz ser contra aumento de impostos

O tema economia ficou com Professora Dorinha (União Brasil). Ela foi questionada sobre o uso de concessões e parcerias público-privadas para financiar obras e sobre o risco de essas alternativas aumentarem custos para a população.

Dorinha afirmou que concessões podem ser usadas para acelerar entregas e melhorar modelos de gestão, mas sustentou que cada caso precisa ser estudado.

“As parcerias privadas, o regime de concessão e outras naturezas são também soluções para quando nós precisamos ganhar tempo e até por alguns modelos de gestão.”

A candidata também defendeu redução de gastos e reorganização da máquina pública.

“É preciso organizar a máquina pública, reduzir gastos, reduzir despesas, racionalizar a estrutura pública para que também exista o próprio recurso do governo do Estado.”

Sobre impostos e taxas, afirmou:

“Nós somos contra aumento de impostos e de taxas.”

Segundo Dorinha, os modelos de concessão deverão ser discutidos com a população e avaliados de acordo com cada serviço.

Witer relata espera de cinco meses por cirurgia e defende descentralização

Professor Witer Naves (PSOL) foi sorteado para falar sobre saúde. A pergunta tratou da concentração de atendimentos especializados em Palmas e da demora para cirurgias.

O candidato usou uma experiência pessoal para ilustrar o problema.

“Eu sou prova viva. Há menos de 40 dias eu fiz uma cirurgia no Hospital Geral de Palmas. Foram 15 minutos de cirurgia e eu demorei cinco meses para ter essa cirurgia eletiva.”

Witer defendeu que hospitais do interior recebam estrutura e profissionais capazes de reduzir a necessidade de deslocamento até Palmas.

“O Hospital de Augustinópolis precisa do mesmo equipamento que o Hospital de Palmas tem. Precisa do mesmo especialista.”

O candidato afirmou que o Estado precisa buscar um “equilíbrio territorial” na distribuição dos serviços.

“O paciente que está lá em Araguaína não precisa vir para Palmas para fazer cirurgia porque não tem médico especialista ou equipamento.”

Laurez promete concurso anual para PM e reforço nas delegacias

O último tema, segurança pública, foi sorteado para Laurez Moreira (PSD). A pergunta mencionou a escolha do coronel Silva Neto como candidato a vice e cobrou propostas para ampliar o efetivo sem comprometer os limites de gastos.

Laurez classificou a segurança como uma de suas prioridades e criticou a estrutura atual.

“Segurança pública é, para mim, um dos assuntos mais importantes do Estado do Tocantins. É por isso que eu tive a preocupação de escolher como meu vice um homem da segurança pública.”

O candidato citou a falta de delegados e policiais em municípios do interior e prometeu ampliar o efetivo.

“Nós vamos fazer concurso na PM anual. Nós vamos ter a escola de formação de soldados do nosso estado.”

Laurez também prometeu maior integração entre as forças de segurança e uso de tecnologia.

“Vamos implantar a vigilância eletrônica em todos os municípios do Estado do Tocantins, nas fronteiras.”

Segundo ele, o aumento dos efetivos da Polícia Civil e da Polícia Militar, aliado à tecnologia, permitiria reduzir a criminalidade e melhorar a presença das forças de segurança no interior.

Brener Nunes

Repórter

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins