
O ex-prefeito de Darcinópolis Jackson Soares Marinho se manifestou após ser preso em flagrante durante a Operação Pedra Furada, deflagrada pela Polícia Civil nesta quinta-feira, 27. Já em casa, ele publicou um vídeo nas redes sociais, afirmou desconhecer a origem das munições encontradas em sua residência e atribuiu o episódio a uma suposta perseguição política.
“Tô em casa, tô bem, graças a Deus”, iniciou Jackson. Segundo o ex-prefeito, ele prestou esclarecimentos sobre as munições de calibre .22 encontradas pelos policiais e ressaltou que nenhuma arma foi localizada no imóvel.
“Fui lá prestar todos os esclarecimentos possíveis de umas munições que tinha aqui na minha casa, antigas, né? Eu não sei nem de quem são essas munições. Não encontraram arma na minha casa.”
Jackson foi autuado por posse irregular de munição de uso permitido após policiais cumprirem um dos mandados de busca e apreensão da Operação Pedra Furada. A prisão ocorreu na manhã de quinta-feira, e ele foi levado para a 5ª Central de Atendimento da Polícia Civil, em Araguaína.
No vídeo publicado posteriormente, o ex-gestor afirmou que já vinha sendo perseguido e relacionou a situação à disputa política no município.
“Eu já venho sofrendo essas perseguições, não é de hoje. Isso tudo é motivo de política.”
Ele também disse que o episódio não irá afastá-lo da vida política de Darcinópolis.
“Eu estou aqui firme e forte e com aquela palavra no peito: eu não vou desistir do povo de Darcinópolis.”
Sem citar nomes, Jackson agradeceu às pessoas que demonstraram solidariedade e disse ter ficado triste com aqueles que, segundo ele, comemoraram a situação.
“Fico triste e peço a Deus que agracie aquelas pessoas que acharam bom essa situação de hoje. Mas eu não desejo [isso] para nenhuma família de Darcinópolis.”
Prisão aconteceu durante operação sobre supostos desvios
A prisão por causa das munições ocorreu durante uma investigação mais ampla. Jackson era um dos alvos da Operação Pedra Furada, conduzida pela 3ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado de Araguaína (3ª DEIC).
A Polícia Civil cumpriu cinco mandados de busca e apreensão, além de medidas judiciais de bloqueio e sequestro de patrimônio.
A operação reúne 11 inquéritos policiais e investiga suspeitas de organização criminosa, peculato, fraude em licitações, desvio de recursos públicos, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Os fatos apurados teriam ocorrido entre 2016 e 2024 e envolvem ex-agentes públicos, servidores, empresários e particulares.
A manifestação de Jackson sobre “perseguição política” representa a versão apresentada por ele e não afasta o prosseguimento das investigações.
Covid-19, contratos e concurso estão entre as frentes
Uma das linhas de investigação trata do possível desvio de cerca de R$ 1 milhão em recursos federais destinados ao enfrentamento da Covid-19.
Segundo a Polícia Civil, há suspeita de que parte do dinheiro tenha sido direcionada à estruturação de uma empresa privada de perfuração de poços e à aquisição de equipamentos pesados posteriormente registrados em nome de familiares de investigados. Uma máquina perfuratriz teve o sequestro e a remoção determinados pela Justiça.
Outro braço da investigação analisa contratos para digitalização de documentos e levantamento patrimonial. A suspeita é de que empresas tenham recebido por atividades que, na prática, teriam sido executadas por servidores municipais utilizando estrutura pública.
Também estão sob análise mais de R$ 3,6 milhões em pagamentos relacionados à manutenção da frota municipal, além da suspeita de utilização de recursos públicos para despesas particulares.
O Concurso Público nº 001/2023 de Darcinópolis também integra as apurações. A Polícia Civil investiga possíveis irregularidades na contratação da banca e eventual manipulação de resultados para beneficiar pessoas ligadas a agentes públicos e políticos.
Justiça bloqueou bens
As investigações também identificaram indícios de evolução patrimonial considerada incompatível com os rendimentos formais de um dos principais investigados. Conforme a apuração, o patrimônio declarado à Justiça Eleitoral teria passado de aproximadamente R$ 10 mil, em 2020, para bens avaliados em valor milionário quatro anos depois.
A Justiça autorizou o bloqueio de mais de R$ 2 milhões em ativos financeiros, além do sequestro de cinco imóveis, seis veículos, uma máquina de perfuração de poços e um rebanho bovino registrado em nome de terceiro.
A Polícia Civil ainda analisará celulares, documentos e outros materiais recolhidos durante as buscas. As apurações continuam para determinar a participação individual de cada investigado, rastrear a destinação dos recursos e verificar a existência de patrimônio eventualmente ocultado.
Até o momento, as suspeitas investigadas na Operação Pedra Furada não representam condenação dos envolvidos.