Tribunal de Contas do Estado do Tocantins
Tribunal de Contas do Estado do Tocantins

Diferenças nos valores de emendas parlamentares estaduais informados em sistemas oficiais levaram o Tribunal de Contas do Estado (TCE-TO) a abrir representações contra as prefeituras de Peixe, Gurupi, Paranã e Formoso do Araguaia. Somadas, as inconsistências identificadas chegam a R$ 1.040.600.

Os quatro prefeitos foram citados e terão 15 dias para apresentar defesa, esclarecer os registros e comprovar a regularização das informações. As decisões foram publicadas no Boletim Oficial do TCE desta quarta-feira, 29.

Além das divergências nos valores, os técnicos apontaram falhas na transparência das informações, ausência de dados nos portais municipais, falta de cadastramento das emendas no sistema Sicap-LCO e o não atendimento a determinações anteriores da Corte.

Em Peixe, o Portal da Transparência informava que o município não havia recebido emendas estaduais em 2025. No entanto, o sistema Transfere.TO registrava R$ 1,06 milhão destinados ao município, enquanto o Sicap-Contábil apontava o ingresso de R$ 910 mil. A diferença entre os sistemas chegou a R$ 150 mil.

Segundo o Tribunal, a existência de três informações distintas sobre os mesmos recursos compromete a fiscalização e dificulta o acompanhamento da aplicação do dinheiro público. O prefeito Augusto Cézar Pereira dos Santos também deverá explicar por que o município não apresentou o plano de ação solicitado anteriormente pelo TCE.

Em Gurupi, a divergência identificada foi ainda maior. Enquanto o Sicap-Contábil registrou arrecadação de R$ 2,26 milhões em emendas estaduais, o Transfere.TO apontava R$ 2.695.600 efetivamente transferidos, diferença de R$ 435,6 mil.

O Tribunal também verificou que documentos como planos de trabalho, cronogramas de execução e instrumentos jurídicos não estavam disponíveis no Portal da Transparência dentro do prazo exigido. A prefeita Josi Nunes deverá prestar esclarecimentos e promover a atualização das informações referentes às emendas recebidas desde 2025.

Em Paranã, o Portal da Transparência igualmente informava que não havia registro de emendas estaduais no período. Porém, o Transfere.TO indicava R$ 150 mil destinados ao município, enquanto o Sicap-Contábil apontava receita de R$ 320 mil, gerando uma diferença de R$ 170 mil.

Na decisão, o TCE alerta que a divulgação de informações incompatíveis em sistemas oficiais poderá resultar na apuração de responsabilidades, caso as irregularidades sejam confirmadas. O prefeito Phábio Augustus da Silva Moreira foi citado para apresentar explicações.

Já em Formoso do Araguaia, a Corte encontrou diferença de R$ 285 mil entre os sistemas consultados. O Transfere.TO registrava R$ 650 mil em transferências especiais, enquanto o Sicap-Contábil informava R$ 935 mil em receitas provenientes de emendas.

Além da divergência financeira, os auditores apontaram ausência de informações sobre o objeto das emendas, órgãos responsáveis pela execução, localidades beneficiadas, cronogramas e contratos relacionados aos recursos. O prefeito Israel Borges Nunes também deverá apresentar um plano de ação para corrigir as inconsistências.

O Tribunal ressalta que, nesta etapa, não há conclusão sobre desvio ou desaparecimento de recursos. As representações tratam de indícios de falhas na transparência e de inconsistências nos registros contábeis. Após o recebimento das defesas, os processos voltarão à área técnica do TCE e, posteriormente, serão encaminhados ao Ministério Público de Contas para manifestação.

Brener Nunes

Repórter

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins