
Um atendimento a um adolescente de 14 anos com insuficiência respiratória e taquicardia levou à abertura de uma apuração sobre a atuação do Samu em Gurupi, no sul do Tocantins. Segundo documentos enviados ao Ministério Público, o médico responsável pela regulação naquele momento já recebeu uma advertência formal da Prefeitura.
O caso chegou ao Ministério Público do Tocantins (MPTO) após relato de uma suposta negativa ou demora no envio de uma ambulância para atender o adolescente. Agora, a Promotoria quer saber exatamente o que aconteceu desde a ligação para o serviço até a decisão tomada pela Central de Regulação.
A Portaria nº 5.153/2026, que trata do caso, não informa quanto tempo o adolescente aguardou, se uma ambulância chegou a ser enviada ou qual foi o desfecho do atendimento.
Médico foi advertido em julho
Ao responder aos primeiros questionamentos, a Procuradoria-Geral do Município informou que o episódio foi encaminhado à Corregedoria para investigação disciplinar.
A Prefeitura também comunicou que o médico regulador recebeu uma advertência formal em 29 de julho de 2026. Conforme as informações reproduzidas na portaria, o profissional foi alertado de que uma eventual repetição da conduta poderá levar à suspensão das atividades e da remuneração.
A aplicação da advertência, porém, não encerrou os questionamentos do Ministério Público.
A Corregedoria terá 15 dias para informar qual é o número do procedimento disciplinar aberto, em que estágio está a investigação e quando os trabalhos devem ser concluídos.
MP quer reconstruir atendimento
Outro ponto que deverá ser esclarecido é o funcionamento da regulação do Samu no momento em que o socorro foi solicitado.
A decisão de deslocar uma ambulância é tomada pela Central de Regulação Médica após avaliação das informações repassadas durante a chamada. Por isso, a apuração deverá buscar elementos sobre os sintomas comunicados, a classificação de risco atribuída ao adolescente, as orientações dadas durante o contato e a disponibilidade das equipes naquele momento.
A Secretaria Municipal da Saúde também terá de informar se o episódio provocou mudanças internas. O MP pediu um relatório sobre eventuais medidas de orientação, treinamento, revisão de procedimentos ou aperfeiçoamento adotadas na Central de Regulação Médica.
Conselho de Medicina também foi acionado
Além da apuração dentro da Prefeitura, o Conselho Regional de Medicina do Tocantins (CRM-TO) foi procurado para informar se existe procedimento destinado a analisar a atuação profissional no caso.
O Ministério Público quer saber se há investigação sobre possível negligência e, caso exista, em qual fase ela se encontra.
A apuração tramita sob o número 2026.0014039 e está sob responsabilidade do promotor Marcelo Lima Nunes, da 6ª Promotoria de Justiça de Gurupi.
Neste momento, o procedimento busca esclarecer as circunstâncias do atendimento e verificar se houve falha na regulação do Samu. A portaria não apresenta conclusão de negligência por parte do médico nem informa que a suposta demora tenha provocado agravamento do estado de saúde do adolescente.