Volkswagen Polo, Chevrolet Onix Plus, BYD Dolphin e Fiat Pulse podem entrar no programa Move — Foto: arte/g1
Volkswagen Polo, Chevrolet Onix Plus, BYD Dolphin e Fiat Pulse podem entrar no programa Move — Foto: arte/g1

O governo federal ampliou o programa Move Aplicativos, que oferece financiamento com juros reduzidos para motoristas de aplicativos e taxistas. A principal mudança é que a linha de crédito, antes restrita a veículos novos, passa a incluir também carros seminovos.

Para ter acesso ao benefício, os veículos usados devem atender aos critérios estabelecidos pelo programa. O preço máximo é de R$ 150 mil, o modelo precisa ser elétrico ou híbrido flex, híbridos movidos apenas a gasolina ficam de fora, ter sido fabricado a partir de 2024 e ser de uma montadora habilitada no programa Mover.

Entre os seminovos híbridos flex que se enquadram nas regras e custam menos de R$ 150 mil, segundo a tabela da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), estão o Fiat Pulse (R$ 107.493), Fiat Fastback (R$ 117.746), Peugeot 2008 GT (R$ 146.415) e Peugeot 208 GT (R$ 120.769).

Já entre os elétricos disponíveis na mesma faixa de preço aparecem modelos como BYD Dolphin Mini (R$ 98.136), BYD Dolphin (R$ 118.540), GWM Ora 03 (R$ 120.391), GAC Aion UT (R$ 128.790), Chevrolet Spark EUV (R$ 139.020), Geely EX2 (R$ 113.882) e Renault Kwid E-Tech (R$ 81.412).

Crédito ainda é o principal entrave

Apesar da ampliação do programa e da reserva de R$ 30 bilhões para financiamentos com juros inferiores aos praticados pelo mercado, a adesão continua abaixo do esperado. Dados do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mostram que, até 14 de julho, apenas R$ 1 bilhão havia sido comprometido, o equivalente a cerca de 3% do total disponível.

Especialistas apontam que o principal obstáculo não está nas condições do programa, mas na dificuldade de aprovação do crédito pelos bancos. A economista Tereza Fernandez afirma que muitos motoristas não conseguem atender aos critérios das instituições financeiras e lembra que, mesmo com juros menores, o valor das parcelas continua elevado diante do preço dos veículos.

Na mesma linha, o consultor automotivo Milad Kalume Neto destaca que o risco de inadimplência permanece sob responsabilidade das instituições financeiras, o que torna a análise de crédito mais rigorosa. Segundo ele, entre as nove instituições participantes do programa, apenas duas são consideradas mais acessíveis para esse público.

O pesquisador Armando Castelar, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), acrescenta que o alto nível de endividamento das famílias brasileiras também reduz o interesse e a capacidade de contratação de novos financiamentos.

Representantes dos motoristas de aplicativos reforçam esse diagnóstico. Para Leandro Cruz, presidente do Sindicato dos Trabalhadores com Aplicativos de Transportes Terrestres Intermunicipais do Estado de São Paulo, muitos profissionais que possuem renda suficiente para assumir as parcelas acabam tendo o crédito recusado por estarem com restrições financeiras.

Ele também alerta para os cuidados na compra de seminovos, destacando a necessidade de verificar o histórico do veículo para evitar problemas mecânicos e possíveis fraudes, como adulteração da quilometragem.

A ampliação do programa foi bem recebida pelo setor de revenda de veículos, mas a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto) avalia que os resultados tendem a ser limitados caso os critérios de concessão do crédito permaneçam inalterados.

A Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef) compartilha da mesma avaliação. A entidade ressalta que a aprovação continua sujeita à análise de risco das instituições financeiras, que podem recusar propostas ou exigir entrada para reduzir a possibilidade de inadimplência.

O cenário é agravado pelo elevado endividamento da população. Dados do Serasa apontam que, em junho deste ano, o Brasil registrou 83,7 milhões de consumidores endividados, o maior número da série histórica e resultado de 18 meses consecutivos de crescimento.

O BNDES, por sua vez, afirma que não há dificuldades no repasse dos recursos às instituições financeiras e sustenta que os valores destinados ao programa seguem disponíveis para contratação.

O BNDES acompanha a execução do Programa BNDES Move Motoristas em todo o território nacional, por meio do monitoramento de seus resultados e da interlocução com os agentes financeiros credenciados. Esse acompanhamento subsidia o aperfeiçoamento contínuo da operacionalização do programa, quando necessário.

O Programa BNDES Move Motoristas segue em pleno funcionamento, com operações e repasse de recursos sendo realizados por meio da rede de instituições financeiras credenciadas, conforme o modelo previsto.

Como é característico em programas dessa natureza, que envolvem etapas de habilitação, análise de crédito e contratação junto aos agentes financeiros, a aprovação das operações ocorre de forma gradual. A instituição financeira, a partir do encaminhamento do pedido da concessionária, fará a análise do perfil de crédito de cada motorista ou taxista e, se aprovado, concluirá a contratação com as condições do programa.

Os critérios de aprovação do financiamento seguem a política de crédito de cada instituição financeira credenciada, dentro dos parâmetros gerais do programa, como elegibilidade do veículo, do beneficiário e do uso (taxista, motorista de aplicativo ou cooperativa). O BNDES não define critérios individuais de aprovação de crédito, que são de responsabilidade de cada agente financeiro. O repasse de recursos para as instituições financeiras é realizado após a aprovação do crédito, com a apresentação da Nota Fiscal de compra do veículo ao BNDES.

As instituições que realizaram operações até agora foram Banco do Brasil, Banrisul, Caixa Econômica Federal, Sicoob, Sicredi, Ailos, GM Financial, Volkswagen Financial Services, Banco Stellantis e Mobilize Financial Services. Além das diversas instituições financeiras já operando, outras ainda estão em processo de implementação do Programa em seus sistemas, com previsão de entrada em breve.